Fevereiro 19, 2008

Esboço apresentção I

Esboço de trabalho esquematização de ideias

fase 1:  apresentação

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Inicio / Intro C1

Público entra…Imagem… uma pessoa sentada numa cadeira com um portátil em cima da mesa de frente para o ecrã, no seu lado direito uma coluna grande, de som, que liga ao computador, através dos fios que caem da mesa.

… silencio…

Entra musica / “01 – electronic performers”

< <faixa musica >>

- Dispara do ecrã do portátil, um conjunto de frases que se vai formando pouco a pouco…

“ Sobre o nosso amor floresce um pé de ipê *. “

Nota 1: didascálica “ na manha seguinte sentei-me á mesa da cozinha… fiquei assim por uma eternidade. (então a minha mão começou a mover-se, e eu ali assombrado…) Escrevendo no portátil: “Sobre o nosso amor floresce um pé de ipê.”

C2

Na passagem para C2, o performer ainda sentado na cadeira, com a mesma musica, levanta-se, pega no pc, pela ponta dos dedos, desloca-se para frente esquerdo do público, tem um rolo de fita adesiva preta no chão, e começa colar o portátil na bariga, o mais próximo do peito, com o ecrã de frente para público.

Acaba a musica 01

Entra vídeo + / VOZ-OF 1

voz_of 1

Existe um fenómeno ecológico chamado voçoroca, ou boçoroca, vocês conhecem? É um abismo que se abre no meio do cerrado, se alarga e desce, e vai descendo, e no Meio do cerrado, e se alarga se desce, e vai descendo sempre, alcançando profundidades de até cinquenta metros. Pode acontecer do dia para noite. É assustador. Eu sinto que por vezes tenho uma voçoroca se abrindo dentro da minha alma, me partindo ao meio…

Nota: 2> voz-of, out, o video manten-se por mais alguns segundo, não perdendo o contacto visual do performer com o público. viedo / out. o interprete, desloca-se para a mesa para mesa ao som de Tom Whaits. Musica 02/ Tom Whaits << por faixa aqui>>>Esta passagem para C3 é em movimento livre… - o interprete senta-se, apanha do chão do seu lado direito uma chávena de chá, uma cabreira postiça loira. Entra voz-of 2

voz_of 2

<<faixa aqui>>

Nunca amais a vi… sim… a Valquíria, pois, nunca mais a vi. A Valquíria era uma mulher alta, de rosto comprido, bem desenhado, olhos azuis. Os lábios, cor de carmim, sobressaíam contra o límpido brilho da sua pele. Sentava-se sempre ali, á mesma mesa entre as nove horas da manhã e o meio-dia. Pedia torradas, chá preto, e um pouco de mel. Saboreava as torradas lentamente. Adoçava o chá com duas colheres de mel, e depois deixa-se ficar, longos e longos minutos, contemplando pela vidraça o alegre espectáculo dos Jacarandás em flor. Finalmente tirava da bolsa o seu portátil cor-de-rosa, e punha-se a escrever.O que me chamou mais atenção foi o facto de ela nunca olhar para o portátil enquanto escrevia. Olhava em frente, lá para fora, para o jardim, como se não escrevesse no portátil, mas, directamente, sobre o espelho frio da manha.Nota 3: durante o voz-of, a acção, é de construção ao mesmo tempo que vais descrevendo, o interprete, se transforma, coloca a cabeleira, pega na chaveta, meche o chá, e “fica assim durante horas” imagem fixa, vai mudando de movimento lentamente, pequenas fotografias das descrições da fala da memória…

C3

Texto 1

Texto do interprete

- Convidou-me a tomar assento ao seu lado, trabalhava para uma editora espírita, em São Paulo, onde vivia. Nas últimas semanas andava muito ocupada, com um novo romance de Jorge Amado, ela era apenas uma mão alugada. O romance começava pelo fim.Quis saber se não poderia ocorrer algum tipo de fraude. Digamos que o espírito de escriba menor se fizesse passar pelo de Eça Queirós, por exemplo, segregando ao ouvido de Valquíria obras sem fôlego.Não consegui achar uma boa resposta.Perguntei-lhe se o ofício de psicógrafo exige algum treino especial. “Nem por isso”, disse-me sem abandonar o sorriso.

Nota 4: O trabalho de actor, é a intenção desta cena, tentado uma aproximação da ideia de um contador de histórias, o portátil é transformado num livro de (imagem visual) contos, direccionano num contacto mais directo e intimo com o público.

Voz_3 / 4

<<< Faixa aqui>>

Então na manha seguinte sentei-me à mesa da cozinha, sozinho com o portátil aberto à minha frente. Disponibilidade. Esvaziar o espírito. A voçoroca. Fiquei assim por uma eternidade. Não ouvia voz alguma. O silêncio. Um vasto silencio dentro de mim. Então a minha mão começou a mover-se, e eu li assombrado… > Sobre o nosso amor floresce um pé de ipê.

Musica on“10 You Don’t Know Me.mp3”

<<por faixa aqui>>

Nota 5: um retorno na memória, uma volta ao “presente passado”, este quadro é quase igual aos primeiros quatro do início da INTRO. Musica fed-out / lentamente. FIM

 

 

Dezembro 18, 2007

Isadora

Hoje estou em Lisboa, não consegui acordar a tempo de apanhar o autocarro, por isso já que tenho que trabalhar amanhã aqui com dois dos meus colegas da faculdade, optei por passar cá o dia. Estou em casa a fazer uma pesquisa na net, sobre não sei o que, ao inicio, à procura de trabalho, mas pronto! acabei por procurar coisas sobre residências e bolsas de formação.

Optei po escrever este apontamento porque tive um reencontro com um “Software”, Isadora, um programa bastante completo para as necessidades de um performer, que não domine a linguagem de programação, foi este ano na residência artística ” Tedance” no Teatro Aveirense, onde se juntaram um grupo de trabalho, desde performances, bailarinos, cineastas, programadores, coreógrafos, som, etc… Nesta troca de experiência, foi me apresentado a Isadora, como costumo dizer, porque a muito tempo que andava a procura de algo como ela, muitos dos Software exigem um bom conhecimento de programação, como é o caso do Max, um dos lideres do mercado, neste caso a nossa querida Isadora, foi mesmo, pensada para os artistas, que não tem de perceber de programação.

em baixo segue um vídeo que encontrei no youtub/troikaranch da Artista Dawn Stoppiello.

Dezembro 17, 2007

Day II

 

Nesta ultima semana pouco se fez, mas em relação à procura do processo, esta semana ouve necessidade de trabalhar um pouco sobre a imagem, neste caso especifico sobre o vídeo, esta vila é-me muito sugestiva, ao tema, não sabendo bem como… porque que estou a ir por este sentido, estou a ser completamente influenciado pela vila e pelas pessoas que me rodeiam neste momento, esta semana, tive varias ideias, inclusive, deixar de pensar em ser eu o material e passar a pensar no outro, o outro individuo, a nossa dupla pessoa, que há em nos, a nossa voz da consciência, talvez… Não sei muito bem ainda no que estou a tentar pegar, mas sei que, a ideia da memória esta muito presente, de certa forma foi esta tentativa do vídeo. Propus a outras pessoas, para partilhar algo a minha pesquisa, e se possível, brincar um pouco com alguns momentos de vídeo, tenho que tentar arranjar uma câmara, a sério. Fui ontem a noite beber uns copos com algum pessoal, uma das animadoras da vila natal, fez anos e lá fomos festejar em grupo. O local escolhido é perfeito para possível cena de filmagens sobre uma ideia, que gostava de filmar. No grupo temos uma pessoal que sabe ler cartas astrais, gostava de pegar nessa ideia, e trabalha-la no sentido… por expl: um performer o que tem para dar é sempre algo de si, em tempo real, sim por vezes. Neste caso era de atirar para o vídeo tudo sobre mim, uma leitura de uma carta astral, como apresentação da personagem, ou seja eu. Este vídeo é uma captura em bruto, com uma webcan, foi filmada de manha por volta das 7h e 30, a meio do dia: por volta das 15h e ao fim do dia, antes do fim por do sol, a câmara ao colo e seguia a minha caminhada, sem muita preocupação de grandes planos, objectivo era registrar, sem muitos cortes, planos longos, acompanhar a onda das pessoas, o ritmo o silêncio, e observar… pormenores de cada recanto e esquina da vila…
O fim deste pequeno vídeo ira acabar com um plano de uma pessoal sentada numa mesa a escrever, em voz of, uma voz a ler uma carta astral.

Continua…

 

 

Dezembro 13, 2007

Shine

Hontem fiquei simplesmente parvo, nunca vira este filme, foi um falha, este filme fez-me pensar no género de musica que gostava de trabalhar neste processo, alem de ter despertado para um a sensibilidade, mais mística humana, digamos. Não devo deixar voar muito os sentimentos e ir de em conta em que realmente gostávamos de dizer…

Dezembro 12, 2007

Autobiografia

Marlon Fortes

 

Tinha eu mais ou menos os meus oito anos de idade. Por esta altura. Época de natal. Eu e a minha mãe, estávamos na sala de jantar a ver as noites de Natal na TV, um concerto de música clássica, a minha mãe perguntou-me “o que

é que gostavas de ser quando fores grande”, lembro-me de ter dito, “aquilo”, aquilo agora da para perceber este longo caminho percorrido até aqui.

Nascido numa pequena e calorosa ilha, S. Vicente, Cidade do Mindelo, deixei-a muito cedo aos três anos para caminhar na Morabeza de um povo que esta entre o céu e o horizonte, Portugal é o destino por certo.

Minha mãe, Maria Joana Fortes, mandou me buscar, pensando que ia viver com ela para sempre, foi quando conheci a minha ama, Dona Adelina, esta mulher foi durante muito tempo a minha segunda mãe, na ausência da primeira.

Foram tempos difíceis, mas bons ao mesmo tempo, quando não fazia chichi na cama. Neste período já estava na escola primária, da Junta freguesia de S. Nicolau, cidade do Porto.

Porto da minha infância, assim esta na minha memória, a ribeira, os meus amigos, as brincadeiras, dos saltos da ponte D. Luís…

Isto foi-se tornado um pretexto para uma nova proposta, nesta altura tinha os meus doze anos, quando a minha mãe me pergunta se queria ir fazer umas férias a Cabo Verde.

“Claro, claro que quero”. A imagem que tinha da ilha era como se fosse um sonho impossível e adormecido, de que nunca teria feito parte de mim, um paraíso, com longas praias de canas e de bananeiras.

Acordei num novo passado, um daqueles sonhos em que acordamos e dizemos, eu não quero sair daqui, assim foi.

Fiquei em Cabo Verde. Voltei a reavivar as minhas memórias de ilhéu ta, à rotina lenta e imperecível. Foi-me dado a minha tia-avó para tomar conta de mim, conclui a primária, aos dezoito anos fui para a escola técnica industrial do Mindelo, para o curso de electricidade, fracasso total, sei que nos exames práticos, dei seis curto-circuitos consecutivos.

Numa das minhas tardes de volta a casa, passo por um amigo que me diz que ta a haver uma peça de teatro no Centro cultural português, nunca tinha assistido a tal evento, fui lá dar uma vista de olhos, quando sem me aperceber, algo me despertou, uma certa curiosidade, um mundo familiar, se apoderou de mim. Comecei a frequentar o espaço, até me inscrever num curso de um ano de iniciação ao teatro. No fim do curso os alunos teriam que apresentar uma peça, fiz o meu primeiro monólogo, com recolhas de textos de autores portugueses, e uma marioneta, havia, e penso que até agora se mantém esta tradição, para motivar os futuros actores, a entregas de globos de Ouro, rebatei dois deles, melhor texto e melhor actor.

Esta atitude, motivou-me, entrei para o grupo de teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, durante um ano fomos em digressão, como o Festival Fite. Não foi preciso muito tempo para sentir que “aquilo” era isto.

Já que ainda tinha uma ida de avião, sim porque se vim passar férias, umas férias de oito anos, estava na altura de voltar. Afinal fora um jogo de estratégia,

a minha mão sabia que eu iria ficar, por isso, eu fora apenas com uma viagem de ida, e não de ida e volta como pensara. Lá convencia-a a voltar a buscar-me pela segunda vez.

Em Portugal, inscrevi-me no Balleteatro do Porto. Pois é, Porto. Segundo porto da minha adolescência. Tinha os meus vinte anos nessa fase; esta formação veio de certa forma delinear a estética do meu percurso de trabalho como profissional, a do teatro e dança, completamente diferente da que tinha adquirido em cabo verde.

Mesmo assim a vontade de saber e descobrir o que era e é “aquilo” foi cada vez mais forte, aproveitando todas as oportunidades, tendo feito a minha estreia como actor profissional com a companhia Art´Imagen, na peça (Frangipani) de Mia Couto com encenação de Eduardo Magacela.

As coisas pareciam dar os seus frutos, e a escola ficando para trás. Parecia ter entrado no mercado, olhei sempre para frente, nunca foi do mim, ficar suspenso no passado, sendo que fui e deixei-me ir, participei no trabalho criativo de varias companhia do Porto, passando muito rapidamente pelo Teatro Nacional S. João à Fabrica de Movimentos. Durante este tempo soube que também isto faria parte da minha escola de “vida”. Desenvolvi o meu trabalho de corpo como actor e bailarino, percorri o processo “daquilo”.

Já sabendo o que me iria espera depois da Porto 2001 Capital Europeia da Cultura decidi ir para Lisboa, onde fui trabalhando como actor e bailarino.

A necessidade de cruzar novos conhecimentos, estava em hora de ponta, depois do trabalho com encenador o Jon Mowat, na companhia de dança Paulo Ribeiro, com a peça (Auto da barca do inferno) voltei ao clown. Não poderia deixar esta relação ficar por aqui, tenderia que ir mais além, e fui então para Barcelona à busca do clown; recebi aulas na escola de Circo Roger Ribel. Sentia-me insaciado, incompleto, inacabado… Voltei a Lisboa.

Não encontrei trabalho, fiquei assim durante algum tempo, a fazer de tudo um pouco para ganhar dinheiro, até surgir um convite para trabalhar com a companhia Acto Instituto de Artes Dramática de Estarreja, deveria ter cumprido o contrato de um ano, acabei por sair aos oito meses de trabalho, mesmo assim optei por ficar em Aveiro, a cidade prendera-me, talvez por me fazer lembrar o ritmo de vida de Cabo Verde. Durante a minha estadia em Aveiro tomei a grande decisão de dar inicio a construção da minha companhia, trabalhando em casa e dedicando-me a criar a minha auto independência com as novas tecnologias, neste período, tinha como objectivo aprender a trabalhar e a dominar algumas ferramentas de edição de vídeo e som. Na residência artística Te Dance, no Teatro Aveirense, titulado dança e novas tecnologias, despertou-me o interesse por aplicar e trabalhar, softwares no trabalho do actor, ou performer.

A necessidade de pesquisar e desenvolver um trabalho profundo era uma constante numa inconstante, financeiramente estava impossível de dar continuidade ao projecto criação da companhia, se queria mesmo ir a vante, seu sabia que tinha que estava na altura de tomar uma outra grande decisão, investimento de uma vida, desviar todo o meu trabalho e conceitos aprendidos até aqui, voltar a base. Sentia uma falta carência de métodos de trabalho, estes sete anos sem estudo, tinha-me sito bastante positivos e aprendera de facto, no trabalho do actor a executar, a não “pensar”, e sentir “aquilo”. Só que isso que tento saber, é a minha vida, como individuo e como artista, para isso como a minha vida sempre esteve em mudanças de noventa a cento e oitenta graus, estava na hora de o fazer artisticamente, seguir em paralelo uma pesquisa pessoal e teórica do actor investigador.

Inscrevi-me na Faculdade da Escola Superior Tecnologias e Arte de Lisboa, no curso de Artes Performativas. Apesar das dificuldades financeiras estou a caminhar, onde vou não sei, mas sei dizer onde quero ir, e se somos nós artistas que fazemos o rumo das artes, a próxima paragem é a pós-graduação

 

 

Marlon Fortes Costa.

 

 

Dezembro 6, 2007

Day one

 

 

 

 

 

Hoje foi muito engraçado, ainda não comecei a fazer a tal pesquisa técnica que eu queria. Tinha pensado em começar por fazer uma pesquisa sobre o nosso autor, José Eduardo Agualusa. Das duas obras lidas, Fronteiras Perdidas, contos para viajar e Passageiros em Trânsito. Acabei por escolher “Memória Póstumas”, ao acabar de ler o conto, senti que era sobre este que queria falar, foi algo como que a historia já tivesse passado por mim, alem da ambiguidade das personagens. O momento e o espaço que me ronda, penso ser-me bastante atractivo e inspirador, Estou na vila de Castelo de Óbidos origem romana, provavelmente assente num castro. Foi posteriormente fortificação sob o domínio árabe. Depois de conquistado pelos cristãos (1148) foi várias vezes reparado e ampliado. No reinado de D. Manuel I. Estou de certa forma deixar que as sensações absorvidas do conto me tome por si. Posso estar a correr o erro de me dispersar, mas vou deixar que isso aconteça, embora deveria voltar ao conto e trabalhar mais no seu lado simbólico; à algumas palavras a pesquisar, como é o caso de: voçoroca e boçoroca. Vou pesquisar sobre isso.

 

 

 

Algumas frases chaves:

 

 

  • Olhava em frente, lá para fora, para o jardim, como se escrevesse não no caderno, mas directamente, sobre o espelho frio da manhã.
  • Ela corrigiu-me com, com um sorriso: << Descarnado >>
  • Dentro da gaiola estava a cabeça de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e era esta quem, daquela perspectiva insólita, narrava toda a acção.
  • Havia alguma forma de comprovar a autenticidade daqueles romances?
  • Um abismo que se abre no meio do serrado, e se alarga e desce, e vai descende sempre, alcançando profundidades de até cinquenta metros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dezembro 5, 2007

Memórias Póstumas

Òbidos 4 de Dezembro 2007 / 16:23